Quantas vezes você já pensou que esse mundo não era para você?
Ou que era insuportável?
Talvez eu nunca realmente tenha pensado nisso.
Sinto um peso em excesso.
Um desespero absoluto.
Mas nunca quis sair daqui.
Eu só quis parar.
Parar tudo.
Sumir.
ficar imóvel.
horas a fio. dias talvez.
Quem sabe tudo some?
Essa loucura que víamos em livros de história e chegou até aqui.
Essa confusão acelerada ou ansiedade generalizada, como diz o doutor. Que faz contrair os músculos. Que faz tudo embaçar. Como um véu no cérebro, cobrindo toda racionalidade, deixando tudo meio ofuscado e desforme, como quando abrimos os olhos embaixo d´água
A gente segue tudo, remédio, terapia, meditação, reza, chora, bebe, treina, dá três pulinhos, faz corrente, yoga e deixa quase todas elas pela metade. Ah e pensa positivo.
Não pensar positivo nunca foi a minha. A mente prefere encarar a realidade e saber com o que vai lidar.
Mas como ela sabe com o que vai lidar?
Não sabe.
Ansiedade generalizada.
Ela faz tudo pulsar por dentro. As veias, os músculos, o coração. O aperto, o sufocamento.
Passam os dias, passam as horas, passa o mês.
Meu deus, não fui produtiva o suficiente. Não fiz 3 cursos online, não aprendi uma língua nova, não li 4 livros.
Dormi demais.
O desespero da volta bate. Do estresse, da rotina. Ainda tem pandemia, ainda tem flertes com presente repetindo um passado trágico e triste.
Tem dias que você pensa que não é para você?
Tem dias que não consigo.
Não dá mais, não consigo mais, já disse aos prantos em desespero. Travada numa cadeia olhando para o computador.
Eu só quero poder parar.
Talvez se eu ficar aqui paradinha e não me mexer tudo melhore. Talvez não seja comigo. Talvez eu não faça parte de tudo...
............
........................
.............................
(abre os olhos)
é, não. tá tudo aqui ainda, com pequenos intervalos para respirar.
quarta-feira, 10 de junho de 2020
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Ela.
Eu pensei em guardar esse texto para uma data comemorativa. Mas em tempos de tanto ódio acho que não caberia guardar um de amor.
Você é meu exemplo diário de humildade e amor ao próximo ou de simplesmente amor.
Você é a menina que vê uma mulher com duas crianças na chuva, para o carro e oferece carona.
Que ao ver qualquer bichinho na rua ou na estrada quer ajudar de alguma forma.
É a menina que mesmo que o carro não tenha deixado você passar com a moto, para ao lado dele e diz: ó seu pneu da frente tá baixo, precisa encher.
Que se emociona com a necessidade ou sofrimento do outro.
Que corre e fica do meu lado todas as vezes que eu desmorono (e que não são poucas). Ou que acorda cedo, muito cedo, porque eu perdi a hora e me leva para trabalhar.
Você me faz querer ser melhor a cada dia.
Ps: um sorriso desses bicho ;)
Você é meu exemplo diário de humildade e amor ao próximo ou de simplesmente amor.
Você é a menina que vê uma mulher com duas crianças na chuva, para o carro e oferece carona.
Que ao ver qualquer bichinho na rua ou na estrada quer ajudar de alguma forma.
É a menina que mesmo que o carro não tenha deixado você passar com a moto, para ao lado dele e diz: ó seu pneu da frente tá baixo, precisa encher.
Que se emociona com a necessidade ou sofrimento do outro.
Que corre e fica do meu lado todas as vezes que eu desmorono (e que não são poucas). Ou que acorda cedo, muito cedo, porque eu perdi a hora e me leva para trabalhar.
Você me faz querer ser melhor a cada dia.
Ps: um sorriso desses bicho ;)
terça-feira, 19 de junho de 2018
Esse é um texto sobre a minha mãe
Eu comecei a ler um livro em que o filho foi em busca da histórias dos pais, presos na ditadura. Ele avisa que é contado em ordem não cronológica (e esse texto também não). Os pais ainda estão vivos e ele vai em busca desse passado e de respostas de antes da sua própria vida começar.
Isso me fez pensar logo ao ver o livro a venda.
Mas esse texto em nada tem a ver com o livro ou a ditadura. Esse é um texto sobre a minha mãe. E ele tem rodado na minha cabeça por algum tempo, de formas e tempos diferentes.
O livro me fez pensar o quanto eu também sempre tive o desejo de conhecer a história antes de mim. E como seria após.
Minha mãe faleceu com apenas 30 anos. Eu tinha seis meses, minha irmã 4 anos. Não tenho foto com ela, a não ser aquela em que estou na sua barriga e minha irmã a olha com um misto de alegria e admiração, que talvez eu nunca tenho visto mais nela.
É difícil escrever sobre isso, tentei uma vez semi adolescente e me marcou por ter sido tachado como uma forma de chamar atenção e terem dó. Acho que isso me marcou, e hoje adulta, eu penso que talvez tenha sido. E então nunca mais o fiz. Ainda hoje, escrevendo sinto esse misto, como se eu tivesse fazendo para tal fim.
Mas isso é uma outra história
Esse é um texto sobre a minha mãe.
Ela sempre permeou meu imaginário, como ela era, qual era seu jeito? E tentava não cair na armadilha de criar uma super heroína, insuperável.
Eu tive sim uma outra mãe, que me criou. Mas esse é uma outra histórias.
Esse é um texto sobre a minha mãe.
Uma mulher com planos, não sei se muitos. Mas sei que um era certo, abandonar a carreira de gerente de conta em um banco (a primeira ou uma das primeiras mulheres a ocupar ao cargo em Santos, pelo que me contaram) para que com o nascimento da segunda filha pudesse cuidar direito das duas. A vida é irônica.
Mas isso é outra história. Essa é sobre a minha mãe.
Eu queria saber coisas simples dela, como era a sua risada? A gente se parecia além de algumas características físicas óbvias para alguns?
Essa imagem foi sendo resgatada ao longo de muitos anos e com muitos buracos. Falhas de memórias e de coisas que se perdem no tempo.
Uma vez, perguntei para minha tia (sim, sempre fui muito próxima da família dela): Tia, como era a risada da minha mãe? Era escandalosa como a minha ou como a da minha irmã?
Ela parou, e em uma mistura de surpresa e desapontamento me disso: Nossa, eu não lembro Mi...não lembro. Fiquei chateada, queria tanto saber mais.
E hoje, 10 anos depois de ter perdido a minha própria irmã, percebo que não lembro mais da risada dela. Eu tenho a imagem dela sorrindo, mas o som ficou perdido pelo caminho.
Mas, ahhhh, como eu ficava feliz quando ações simples minhas arrancavam um: nossa, a sua mãe fazia igual!
Essa curiosidade, vontade, a força do DNA, pode chamar do que quer que seja, sempre esteve ali. Talvez como uma forma de conhecer mais a si mesmo. De saber mais sobre aqueles que vieram antes de nós e teceram o início de tudo.
Quando criança eu imaginava que ela podia ter fugido e um dia voltaria, mas também rezava e dizia: cuida da Jú, que eu me viro. Numa forma até de pedir ajuda para eu não ter que lidar com aquilo.
Mas isso é uma outra história.
Esse é um texto sobre a minha mãe.
Sobre a qual não sei o tom de sua risada, mas sei que tinha os ares de irmã mais velha e um humor que flertava com o irônico e que quando arrotava, mesmo sendo criada em uma família que a época tinha pompa e circunstância, fala "eeeeee chico", uma referência a um porco imaginário que vivia embaixo da mesa. Era também de gênio forte e dotada de ciúmes.
Ela foi cedo. Pelo que contam, parece que foi se despedindo... das filhas. Cada um vai contando um pedaço. Tive pouco contato. Ela já ficava em outra cidade para se cuidar. Não posso imaginar o que deve ter sido.
Sei que se negou a tirar uma foto que tanto insistiram, ela já com cicatrizes que nunca curaram. Registraram mesmo assim. E em um tempo de filme e revelação, a surpresa da foto queimada bem em seu rosto.
Essa não é uma história de lamento. É um texto para enaltece-lá.
Não sei se são as leituras espíritas, mas volta e meia o pensamento nela volta a rodear.
Uma vez, em 2008, estava buscando voltar para a minha área de trabalho. Surgiu a oportunidade de uma entrevista em São Paulo. Eu vim, cheia de medo e emoção. Subindo as escadas rolantes do metrô Consolação eu me deparo com uma placa que está lá até hoje: "Nacional: O Banco que está ao seu lado".
Era o banco dela.
E até hoje sorrio e me emociono ao olhar para ela.
Isso me fez pensar logo ao ver o livro a venda.
Mas esse texto em nada tem a ver com o livro ou a ditadura. Esse é um texto sobre a minha mãe. E ele tem rodado na minha cabeça por algum tempo, de formas e tempos diferentes.
O livro me fez pensar o quanto eu também sempre tive o desejo de conhecer a história antes de mim. E como seria após.
Minha mãe faleceu com apenas 30 anos. Eu tinha seis meses, minha irmã 4 anos. Não tenho foto com ela, a não ser aquela em que estou na sua barriga e minha irmã a olha com um misto de alegria e admiração, que talvez eu nunca tenho visto mais nela.
É difícil escrever sobre isso, tentei uma vez semi adolescente e me marcou por ter sido tachado como uma forma de chamar atenção e terem dó. Acho que isso me marcou, e hoje adulta, eu penso que talvez tenha sido. E então nunca mais o fiz. Ainda hoje, escrevendo sinto esse misto, como se eu tivesse fazendo para tal fim.
Mas isso é uma outra história
Esse é um texto sobre a minha mãe.
Ela sempre permeou meu imaginário, como ela era, qual era seu jeito? E tentava não cair na armadilha de criar uma super heroína, insuperável.
Eu tive sim uma outra mãe, que me criou. Mas esse é uma outra histórias.
Esse é um texto sobre a minha mãe.
Uma mulher com planos, não sei se muitos. Mas sei que um era certo, abandonar a carreira de gerente de conta em um banco (a primeira ou uma das primeiras mulheres a ocupar ao cargo em Santos, pelo que me contaram) para que com o nascimento da segunda filha pudesse cuidar direito das duas. A vida é irônica.
Mas isso é outra história. Essa é sobre a minha mãe.
Eu queria saber coisas simples dela, como era a sua risada? A gente se parecia além de algumas características físicas óbvias para alguns?
Essa imagem foi sendo resgatada ao longo de muitos anos e com muitos buracos. Falhas de memórias e de coisas que se perdem no tempo.
Ela parou, e em uma mistura de surpresa e desapontamento me disso: Nossa, eu não lembro Mi...não lembro. Fiquei chateada, queria tanto saber mais.
E hoje, 10 anos depois de ter perdido a minha própria irmã, percebo que não lembro mais da risada dela. Eu tenho a imagem dela sorrindo, mas o som ficou perdido pelo caminho.
Mas, ahhhh, como eu ficava feliz quando ações simples minhas arrancavam um: nossa, a sua mãe fazia igual!
Essa curiosidade, vontade, a força do DNA, pode chamar do que quer que seja, sempre esteve ali. Talvez como uma forma de conhecer mais a si mesmo. De saber mais sobre aqueles que vieram antes de nós e teceram o início de tudo.
Quando criança eu imaginava que ela podia ter fugido e um dia voltaria, mas também rezava e dizia: cuida da Jú, que eu me viro. Numa forma até de pedir ajuda para eu não ter que lidar com aquilo.
Mas isso é uma outra história.
Esse é um texto sobre a minha mãe.
Sobre a qual não sei o tom de sua risada, mas sei que tinha os ares de irmã mais velha e um humor que flertava com o irônico e que quando arrotava, mesmo sendo criada em uma família que a época tinha pompa e circunstância, fala "eeeeee chico", uma referência a um porco imaginário que vivia embaixo da mesa. Era também de gênio forte e dotada de ciúmes.
Ela foi cedo. Pelo que contam, parece que foi se despedindo... das filhas. Cada um vai contando um pedaço. Tive pouco contato. Ela já ficava em outra cidade para se cuidar. Não posso imaginar o que deve ter sido.
Sei que se negou a tirar uma foto que tanto insistiram, ela já com cicatrizes que nunca curaram. Registraram mesmo assim. E em um tempo de filme e revelação, a surpresa da foto queimada bem em seu rosto.
Essa não é uma história de lamento. É um texto para enaltece-lá.
Não sei se são as leituras espíritas, mas volta e meia o pensamento nela volta a rodear.
Uma vez, em 2008, estava buscando voltar para a minha área de trabalho. Surgiu a oportunidade de uma entrevista em São Paulo. Eu vim, cheia de medo e emoção. Subindo as escadas rolantes do metrô Consolação eu me deparo com uma placa que está lá até hoje: "Nacional: O Banco que está ao seu lado".
Era o banco dela.
E até hoje sorrio e me emociono ao olhar para ela.
terça-feira, 15 de março de 2016
domingo, 24 de maio de 2015
Passa aqui.
Me leva embora. Daqui. De mim. Da vida.
Me pega, joga, puxa meu cabelo.
Invade com tudo.
Se lança, me encoraja. Me leva e mostra para onde seguir.
Porque eu, assim, já cansei de decidir.
Sou cansada. Sem vida. Tentando fingir.
Me atravessa. Enxerga além. Saiba o que dizer.
Não precisa respeitar tanto assim.
Entenda o que eu não digo.
Sente.
Me explica o que eu não sei.
Me faz viver enfim.
Me leva embora. Daqui. De mim. Da vida.
Me pega, joga, puxa meu cabelo.
Invade com tudo.
Se lança, me encoraja. Me leva e mostra para onde seguir.
Porque eu, assim, já cansei de decidir.
Sou cansada. Sem vida. Tentando fingir.
Me atravessa. Enxerga além. Saiba o que dizer.
Não precisa respeitar tanto assim.
Entenda o que eu não digo.
Sente.
Me explica o que eu não sei.
Me faz viver enfim.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Impressões sobre a minha primeira corrida.
Foi ontem. Minha primeira corrida. Pode parecer banal, bobo escrever sobre isso. Sempre questionei as pessoas super emocionadas com esse fato. Eis que, me vi assim. Via na tv as pessoas correndo por alguém que tinha partido. E esse alguém nem tinha história com corrida e eu pensava "mas que diabos uma corrida tem a ver com isso?". Eis que, me vi assim.
Veio como uma onda, a energia que percorria o lugar. E sim, eu quis fazer a corrida por ele. Não tem sentido, nem racionalidade nisso. Você só sente. E no meio daquela atmosfera mágica, beijei a correntinha, a dele, que carrego comigo, e olhei para o céu com os olhos marejados.
Poderia parar nesse parágrafo para sempre, pensando nisso.
Mas como na corrida, tenho que seguir. Eram 10 km pela frente e me dei conta que essa primeira vez não poderia ser em um lugar mais especial, foi no que chamo de "quintal de casa", a praia, não em uma qualquer, mas nas areias de Bertioga, onde reside tantas memórias.
Enquanto corria, passava por sensações, memórias, acontecimento e gestos. Pessoas incentivando umas as outras, percebi que correr, é acima de tudo solidário. Gratuitamente, você torce e grita para os primeiros que passam, você nem os conhece, não importa, assim como a posição que você está. Você apenas quer chegar também.
Eu corria e observava, presente, passado e o cotidiano. Olhei aquele monte ali no horizonte, o mesmo que quando criança, nas andanças na praia com meu avô, era nosso ponto de volta de onde tínhamos vindo, não sem antes a minha imaginação de quem tinha acabado de ler a Ilha Perdida, perguntar: "vô, tem gente que mora ali? Dá para ir ali?". E ele é do tipo que incentiva e não te deixa sem resposta nunca e dizia, "claro, vamos acampar ali". Eu ficava maravilhada. E perguntava de bichos e se íamos naquele dia mesmo. Claro que nunca fomos. E isso importa?
Eu corria e vi uma mãe com uma criança no colo na beira da água, um casal logo adiante fazia algum tipo de adoração ajoelhados a beira mar, com as palmas da mão voltadas para o céu. Era como se aquela energia pudesse me alcançar. Naquele momento agradeci, pela minha vida, minha história, por momentos, pelo sol e pelo mar - o meu mais antigo amigo. Estendi os braços, fechei os olhos e agradeci ainda correndo. Porque essa era a sensação que me vinha.
Eu corria e vi gente que tirou o tênis e foi até o final sem, senti as pernas continuarem e o ar não vir, passei por conchas que voltei para pegar. Vi senhoras, crianças, concentração, suor, risos, alegria, vi a vida. Cantei na minha música preferida e dancei com as mãos.
Cheguei. Cheguei procurando as pessoas especiais com quem fui, cadê, cadê? E vi um sorriso largo. Ainda tive fôlego para pular e comemorar. Mais alguns passos e outro sorriso largo me esperava, filmando tudo. Porque, como sempre, ela sempre esteve ali nos momentos marcantes. Um abraço triplo e sincero, de alegria, de orgulho, de satisfação de que conseguimos, mas acima de tudo, de conseguir junto e poder compartilhar.
Ah, o orgulho. Como me faz falta o seu. Como ele me vem sempre na cabeça. O seu sorriso e emoção no que eu conquisto. A emoção que não era mostrado nas palavras, mas no olhar. O meu melhor vai ser sempre para isso. Para você.
Depois de tudo, mergulhei, no mesmo mar em que minha avó, após colocar a toquinha, ia nadar.
Senti o sal. A água. O sol. O frio. a força da água. Olhei em volta. Rezei. E me fui.
Porque assim como na corrida, a gente tem que seguir.
Veio como uma onda, a energia que percorria o lugar. E sim, eu quis fazer a corrida por ele. Não tem sentido, nem racionalidade nisso. Você só sente. E no meio daquela atmosfera mágica, beijei a correntinha, a dele, que carrego comigo, e olhei para o céu com os olhos marejados.
Poderia parar nesse parágrafo para sempre, pensando nisso.
Mas como na corrida, tenho que seguir. Eram 10 km pela frente e me dei conta que essa primeira vez não poderia ser em um lugar mais especial, foi no que chamo de "quintal de casa", a praia, não em uma qualquer, mas nas areias de Bertioga, onde reside tantas memórias.
Enquanto corria, passava por sensações, memórias, acontecimento e gestos. Pessoas incentivando umas as outras, percebi que correr, é acima de tudo solidário. Gratuitamente, você torce e grita para os primeiros que passam, você nem os conhece, não importa, assim como a posição que você está. Você apenas quer chegar também.
Eu corria e observava, presente, passado e o cotidiano. Olhei aquele monte ali no horizonte, o mesmo que quando criança, nas andanças na praia com meu avô, era nosso ponto de volta de onde tínhamos vindo, não sem antes a minha imaginação de quem tinha acabado de ler a Ilha Perdida, perguntar: "vô, tem gente que mora ali? Dá para ir ali?". E ele é do tipo que incentiva e não te deixa sem resposta nunca e dizia, "claro, vamos acampar ali". Eu ficava maravilhada. E perguntava de bichos e se íamos naquele dia mesmo. Claro que nunca fomos. E isso importa?
Eu corria e vi uma mãe com uma criança no colo na beira da água, um casal logo adiante fazia algum tipo de adoração ajoelhados a beira mar, com as palmas da mão voltadas para o céu. Era como se aquela energia pudesse me alcançar. Naquele momento agradeci, pela minha vida, minha história, por momentos, pelo sol e pelo mar - o meu mais antigo amigo. Estendi os braços, fechei os olhos e agradeci ainda correndo. Porque essa era a sensação que me vinha.
Eu corria e vi gente que tirou o tênis e foi até o final sem, senti as pernas continuarem e o ar não vir, passei por conchas que voltei para pegar. Vi senhoras, crianças, concentração, suor, risos, alegria, vi a vida. Cantei na minha música preferida e dancei com as mãos.
Cheguei. Cheguei procurando as pessoas especiais com quem fui, cadê, cadê? E vi um sorriso largo. Ainda tive fôlego para pular e comemorar. Mais alguns passos e outro sorriso largo me esperava, filmando tudo. Porque, como sempre, ela sempre esteve ali nos momentos marcantes. Um abraço triplo e sincero, de alegria, de orgulho, de satisfação de que conseguimos, mas acima de tudo, de conseguir junto e poder compartilhar.
Ah, o orgulho. Como me faz falta o seu. Como ele me vem sempre na cabeça. O seu sorriso e emoção no que eu conquisto. A emoção que não era mostrado nas palavras, mas no olhar. O meu melhor vai ser sempre para isso. Para você.
Depois de tudo, mergulhei, no mesmo mar em que minha avó, após colocar a toquinha, ia nadar.
Senti o sal. A água. O sol. O frio. a força da água. Olhei em volta. Rezei. E me fui.
Porque assim como na corrida, a gente tem que seguir.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Eu tive um sonho estranho hoje.
Era uma bar. Decidimos sair.
Era algum elevador, um prédio estranho.
Era o mal estar de sempre.
Olhava em volta e parecia que eram conhecidos que eu não conhecia.
Você do lado, animada, conversando.
Decidi não ir.
Balada nunca foi muito a minha.
De repente, numa cidade estranha e cinza eu corria.
Eu tinha que ir.
Não sabia onde era.
Onde procurar?
Mas eu corria, corria muito, com medo em ruas vazias e escuras.
Um ônibus e alguém correndo atrás.
Ele para do meu lado. Como se soubesse que eu tinha que ir.
O cara entra e olha pra mim, como se dissesse "você não vem?".
E eu ia.
Parei.
Pra onde?
Era o ônibus certo?
Não entrei.
Nas imagens de um sonho cinza, pessoas com uniformes brancos se destacavam.
Era um hospital em volta.
Pessoas olhavam, e suas vestes pareciam de outro tempo. De muitas décadas passadas.
Acho que voltei para o ponto de partida.
Era o bar?
Ninguém mais lá.
E eu.
Cansada.
Só sabia que precisa ir.
Era uma bar. Decidimos sair.
Era algum elevador, um prédio estranho.
Era o mal estar de sempre.
Olhava em volta e parecia que eram conhecidos que eu não conhecia.
Você do lado, animada, conversando.
Decidi não ir.
Balada nunca foi muito a minha.
De repente, numa cidade estranha e cinza eu corria.
Eu tinha que ir.
Não sabia onde era.
Onde procurar?
Mas eu corria, corria muito, com medo em ruas vazias e escuras.
Um ônibus e alguém correndo atrás.
Ele para do meu lado. Como se soubesse que eu tinha que ir.
O cara entra e olha pra mim, como se dissesse "você não vem?".
E eu ia.
Parei.
Pra onde?
Era o ônibus certo?
Não entrei.
Nas imagens de um sonho cinza, pessoas com uniformes brancos se destacavam.
Era um hospital em volta.
Pessoas olhavam, e suas vestes pareciam de outro tempo. De muitas décadas passadas.
Acho que voltei para o ponto de partida.
Era o bar?
Ninguém mais lá.
E eu.
Cansada.
Só sabia que precisa ir.
segunda-feira, 23 de março de 2015
Ela.
Ela se enfeitou.
Arrumou os cabelos e abrumou o rosto com os cosméticos que lhe caiam bem.
Olhou-se no espelho.
Sentia-se bem.
Registou o momento e o distribuiu por redes sociais e mensagens eletrônicas. Era para lhe dar mais segurança.
Beijou seus cachorros e saiu.
Se lançou na noite com esperança.
Sim! Aquilo tudo iria passar.
Era hoje!
Hoje acharia novas razões,
outros propósitos.
Tudo iria se apagar.
Bebeu e beijou novas bocas.
Como era de costume.
1, 2, 3, 4 da manhã.
E a roda gigante parou.
Lá embaixo.
Estagnou.
E ela parou.
também travou ali.
Mesmo rindo.
Como de costume.
Arrumou os cabelos e abrumou o rosto com os cosméticos que lhe caiam bem.
Olhou-se no espelho.
Sentia-se bem.
Registou o momento e o distribuiu por redes sociais e mensagens eletrônicas. Era para lhe dar mais segurança.
Beijou seus cachorros e saiu.
Se lançou na noite com esperança.
Sim! Aquilo tudo iria passar.
Era hoje!
Hoje acharia novas razões,
outros propósitos.
Tudo iria se apagar.
Bebeu e beijou novas bocas.
Como era de costume.
1, 2, 3, 4 da manhã.
E a roda gigante parou.
Lá embaixo.
Estagnou.
E ela parou.
também travou ali.
Mesmo rindo.
Como de costume.
Os sintomas são como de uma gripe bem forte. Dessas arrebatadoras. Que traz com ela os sussurros da alma. Sussurros que agora gritam.
Gritam em plenos pulmões naquele quarto vazio. Habitado somente por ela e pela gata, que lhe faz companhia. Lembrando, só de estar ali, que precisa de comida, água e limpeza na sua caixinha.
E ela o faz.
Por ela também. Mesmo que ninguém a lembre.
É ela que convence a si mesma. Faz mecanicamente o ato de comer, beber, lavar, a louça, o corpo, a alma.
"Definitivamente virei uma concha", pensa ela. Como o horóscopo falava há dias.
Mulher, 32 anos, capricorniana, concha.
Toma mais um gole na cerveja nova. Como uma sommelier, degusta a 1906 - Red Vintage,
É. A alma grita.
Em silêncio naquele quarto.
Por vezes, queria que alguém entrasse escancarando a porta, abrindo as cortinas e a tirasse dali.
Por outras, preferia assim.
Mulher, 32 anos, capricorniana, concha e sem paladar (porque, afinal, nada tinha gosto). Possui alguns filmes que poderiam ser considerados subversivos anos atrás. E livros. Muitos sem ler.
Abriu um, sobre o espírito, que lhe recomendaram no centro.
Bem apropriado para alguém como ela. De perguntas e respostas.
E ela tinha várias. Naquele corpo que parecia sem emoções.
Alguém muito atento percebeu. Antes mesmo dela confessar, de que tinha sim uma ali. Uma emoção perdida e misturada àquela inércia e choro sem sentimentos.
Uma.
Ia e vinha como as marés. Talvez, até as fases da lua a influenciasse
E ela deixava lhe tocar os pés de vez em quando. Em seguida, corria e a recolhia. Vestia outra máscara e saía. Sem ninguém saber, mas com ela bem guardada em outra camada da retina.
Gritam em plenos pulmões naquele quarto vazio. Habitado somente por ela e pela gata, que lhe faz companhia. Lembrando, só de estar ali, que precisa de comida, água e limpeza na sua caixinha.
E ela o faz.
Por ela também. Mesmo que ninguém a lembre.
É ela que convence a si mesma. Faz mecanicamente o ato de comer, beber, lavar, a louça, o corpo, a alma.
"Definitivamente virei uma concha", pensa ela. Como o horóscopo falava há dias.
Mulher, 32 anos, capricorniana, concha.
Toma mais um gole na cerveja nova. Como uma sommelier, degusta a 1906 - Red Vintage,
É. A alma grita.
Em silêncio naquele quarto.
Por vezes, queria que alguém entrasse escancarando a porta, abrindo as cortinas e a tirasse dali.
Por outras, preferia assim.
Mulher, 32 anos, capricorniana, concha e sem paladar (porque, afinal, nada tinha gosto). Possui alguns filmes que poderiam ser considerados subversivos anos atrás. E livros. Muitos sem ler.
Abriu um, sobre o espírito, que lhe recomendaram no centro.
Bem apropriado para alguém como ela. De perguntas e respostas.
E ela tinha várias. Naquele corpo que parecia sem emoções.
Alguém muito atento percebeu. Antes mesmo dela confessar, de que tinha sim uma ali. Uma emoção perdida e misturada àquela inércia e choro sem sentimentos.
Uma.
Ia e vinha como as marés. Talvez, até as fases da lua a influenciasse
E ela deixava lhe tocar os pés de vez em quando. Em seguida, corria e a recolhia. Vestia outra máscara e saía. Sem ninguém saber, mas com ela bem guardada em outra camada da retina.
terça-feira, 17 de março de 2015
A caderneta
Eu tenho textos de caderneta que começaram a acumular em um certo caderninho. Ele serviria apenas para registrar impressões e divagações nessas novas paisagens.
Mas os textos da caderneta não pertencem aqui. São por demais reveladores.
Foram escritos com caneta em punho, manchando o papel com amargura, angústias e descobertas vestidas de tinta azul.
Borboletas de diversas cores chegaram a cruzar por ali, batendo as asas nas lembranças, provocando uma corrente fria que vinha da base da espinha, cruzava o pescoço, fechava os olhos e voltava correndo até o estômago.
Mas os textos da caderneta não pertencem aqui. São por demais reveladores.
Foram escritos com caneta em punho, manchando o papel com amargura, angústias e descobertas vestidas de tinta azul.
Borboletas de diversas cores chegaram a cruzar por ali, batendo as asas nas lembranças, provocando uma corrente fria que vinha da base da espinha, cruzava o pescoço, fechava os olhos e voltava correndo até o estômago.
Por vezes, fragmentos de uma água salgada escapavam de seus esconderijos e antes que fossem descobertas pulavam rapidamente naquele papel. Queriam brincar, espalhando e fazendo navegar aquela letra azul,
Algumas palavras reclamaram de um gosto amargo que respingou sobre elas, um líquido amarelo, completamente embriagante. Muitas gostaram, ficaram difusas e pediram mais.
Ah.. sim. tem alguns sobre você.
Com pequenos detalhes, gostos, cheiros e frases inteiras.
Elas rodam, sabia? Percorrem todo o cérebro, que parece ficar bobo e perder todas as outras funções.
Sim! Elas rodam, dançam, rodopiam até! E me pregam peças. Como crianças danadas, correm e me deixam ali. Parada.
Sorrindo como uma boba olhando para um tela que meus olhos nem viam!
Um dia...
Um dia, nessa brincadeira, trombaremos. Você vai ver!
Também vou brincar de rodar.
Não só pela minha imaginação.
Vou escorregar pelos cadernos, blogs, páginas, cabeças, líquidos, risos, espasmos.
e pela tinta azul.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Las contraturas
O trabalho,
o amor,
o stress,
os vícios,
a ansiedade,
os medos,
a vida,
os espasmos,
os debates,
as esperas,
as angústias,
as conversas,
o choro perdido,
as crises,
os encontros,
os desencontros,
os dias seguintes,
o que poderia ter sido,
o que realmente foi,
as broncas,
os gritos,
o que não foi dito,
o que não se sabe,
o meio do caminho.
o pensamento,
os devaneios,
os pesadelos,
os compromissos perdidos,
o modo de vida,
as pressões,
os prazos,
as contas,
e o vermelho.
todos embolados em cada músculo
dos meus dedos doloridos,
nas costas curvadas.
nos ombros para cima,
no maxilar travado,
nos roxos pelo corpo,
na apatia,
na falta de desejo,
e nas dores retorcidas.
- Prepare-se. Isso pode acontecer.
- Como se prepara para algo assim?
- Tenha consciência e avise seu espírito: Cuidado, vai doer. Aguente firme.
E por favor, não tente fugir. Não adianta. Isso vai te alcançar meses depois. Saiba disso.
- E quando tem fim?
"Não tem", ela respondeu baixando os olhos, com um meio sorriso, cheio de cuidado. Seu rosto demonstrava as marcas do que aquilo tudo deixou.
Ela tomou outro gole de cerveja, com o olhar longe, fixo. Respirou fundo, olhou de volta, sorriu e continuou:
- Mas você acha serenidade no meio disso tudo. Uma hora você vai nadar de novo em águas tranquilas e vai sorrir. Acredite. Vai sorrir e dizer sozinha em voz alta "ei, obrigada por tudo. Sinto sua falta, muito e dói. Mas eu entendo, entendo tudo. Fica em paz, eu também sei lembrar sorrindo. você cuidou para deixar essas lembranças lindas para que eu conseguisse fazer isso".
Elas se olharam, rapidamente, para em seguida, cada uma se perder com o olhar longe, copo em mãos e milhares de pensamentos que flutuavam naquelas mentes incansáveis e exaustas.
- Como se prepara para algo assim?
- Tenha consciência e avise seu espírito: Cuidado, vai doer. Aguente firme.
E por favor, não tente fugir. Não adianta. Isso vai te alcançar meses depois. Saiba disso.
- E quando tem fim?
"Não tem", ela respondeu baixando os olhos, com um meio sorriso, cheio de cuidado. Seu rosto demonstrava as marcas do que aquilo tudo deixou.
Ela tomou outro gole de cerveja, com o olhar longe, fixo. Respirou fundo, olhou de volta, sorriu e continuou:
- Mas você acha serenidade no meio disso tudo. Uma hora você vai nadar de novo em águas tranquilas e vai sorrir. Acredite. Vai sorrir e dizer sozinha em voz alta "ei, obrigada por tudo. Sinto sua falta, muito e dói. Mas eu entendo, entendo tudo. Fica em paz, eu também sei lembrar sorrindo. você cuidou para deixar essas lembranças lindas para que eu conseguisse fazer isso".
Elas se olharam, rapidamente, para em seguida, cada uma se perder com o olhar longe, copo em mãos e milhares de pensamentos que flutuavam naquelas mentes incansáveis e exaustas.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
- Tá aqui ó! Tá vendo?
- Não.
- Tá cega?
- To te vendo. To vendo a calçada que piso. A rua. O poste. As pessoas.
- E então?
- Então o quê?!
- Não é possível.
- Não sei o que você quer que eu diga.
- Vem cá. Dá sua mão. Agora dá um passo para frente. Não, não olha para trás. Não está ali.
- ...
- Vê agora?
- É isso?
- É, é isso. É tudo isso que está acontecendo, enquanto você parou ali.
- E daí? O que tem de especial?
- Ai. Desisto.
-... tá. então solta a minha mão.
- Não. Desisto de convencer. Mas vou ficar aqui, segurando a sua mão. Porque uma hora você vai ver. E eu quero estar aqui. Quero estar para te segurar até lá, para você não cair. E quando chegar, ah, quando chegar, vou te abraçar, comemorar e dizer: conseguimos, agora segue!
- Não.
- Tá cega?
- To te vendo. To vendo a calçada que piso. A rua. O poste. As pessoas.
- E então?
- Então o quê?!
- Não é possível.
- Não sei o que você quer que eu diga.
- Vem cá. Dá sua mão. Agora dá um passo para frente. Não, não olha para trás. Não está ali.
- ...
- Vê agora?
- É isso?
- É, é isso. É tudo isso que está acontecendo, enquanto você parou ali.
- E daí? O que tem de especial?
- Ai. Desisto.
-... tá. então solta a minha mão.
- Não. Desisto de convencer. Mas vou ficar aqui, segurando a sua mão. Porque uma hora você vai ver. E eu quero estar aqui. Quero estar para te segurar até lá, para você não cair. E quando chegar, ah, quando chegar, vou te abraçar, comemorar e dizer: conseguimos, agora segue!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Então é isso.
Recolher. Lamber as feridas. Novas e profundas.
- Sabia que apaguei tudo?
- Tudo o que?
- O que estava ao alcance da mão.
- Pra quê?
- Não sei. Nunca fiz isso antes. Acho que, dessa vez, representavam um testemunho de algo falsificado.
- Mas você sabia, não?
- É. acho que sempre soube. Mas não quis acreditar. Me ouvir.
- Então... porque insistiu?
- Porque não insistiria? .... é, acho que queria provar que eu estava errada.
- E agora?
- E agora nada. To parada, correndo milhares de km em minutos. Esperando... a semana passar, o fim de semana passar. Nessa ânsia sem fim por algo que não sei o que é.
Sabe, ontem foi por pouco. Quis ligar e falar que encontrei uma bobagem que ela queria. Fiquei ali parada, no meio de um corredor de supermercado olhando para aquele pote de maionese de azeitona.
E eu só queria dizer isso e rirmos. E ela fazer graça e manha, como sempre fez.
Então era isso. Músculos contraídos. Mandíbula travada. Sono agitado. Descontroles diversos cheios de tensão.
Então era isso, esperar amansar o que não está ao alcance da mão.
...Eu já cansei de imaginar você com ela
Diz pra mim
Se vale a pena, amor....
Se desta vez
Ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor
Sangrar.
Recolher. Lamber as feridas. Novas e profundas.
- Sabia que apaguei tudo?
- Tudo o que?
- O que estava ao alcance da mão.
- Pra quê?
- Não sei. Nunca fiz isso antes. Acho que, dessa vez, representavam um testemunho de algo falsificado.
- Mas você sabia, não?
- É. acho que sempre soube. Mas não quis acreditar. Me ouvir.
- Então... porque insistiu?
- Porque não insistiria? .... é, acho que queria provar que eu estava errada.
- E agora?
- E agora nada. To parada, correndo milhares de km em minutos. Esperando... a semana passar, o fim de semana passar. Nessa ânsia sem fim por algo que não sei o que é.
Sabe, ontem foi por pouco. Quis ligar e falar que encontrei uma bobagem que ela queria. Fiquei ali parada, no meio de um corredor de supermercado olhando para aquele pote de maionese de azeitona.
E eu só queria dizer isso e rirmos. E ela fazer graça e manha, como sempre fez.
Então era isso. Músculos contraídos. Mandíbula travada. Sono agitado. Descontroles diversos cheios de tensão.
Então era isso, esperar amansar o que não está ao alcance da mão.
..Foi capaz de se entregar
Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim
Mas mesmo assim
Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim
Mas mesmo assim
Minha flor serviu pra que você
Achasse alguém
Um outro alguém...
Achasse alguém
Um outro alguém...
...Eu já cansei de imaginar você com ela
Diz pra mim
Se vale a pena, amor....
....Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fezSe desta vez
Ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor
Sangrar.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
- Era o impossível?
- Acho que não.
Eu quis a brecha para um relacionamento começar a escorregar por ali.
Eu quis você.
Conhecer do que é feita, sua essência, suas dores, seus amores.
Queria conversas despretensiosas em mesas de um bar qualquer. Daquelas que, quando se percebe, já se sabe muito em poucas horas.
Conversas de travesseiro com pequenas confissões deliciosas e bobas.
Quis você na minha porta porque não aguentou de saudade, e quem se importa se fosse de madrugada?
Um bobagem comprada que eu gosto e viesse entregar.
Que fizesse questão de estar junto e acompanhar, até nos eventos chatos. Eu faria. Mas você não pediu. Não queria me incluir ali.
Também queria colo, proteção e que viesse correndo. Que em qualquer ocasião alheia, olhasse e falasse: que bom que você está aqui.
Que eu fizesse bem, não só por ser uma pessoa "considerada" boa, incrível. E que sempre é a amiga.
Também queria paciência e calma, que entendesse minhas crises, meus vazios, meus complexos e inexatidão.
Queria todas dessas pequenas coisas que nos unem. Mas que ficaram no "poderia acontecer".
Pensando bem, até mesmo no primeiro dia tivemos alguém na mesa. Buscada por você do outro lado da rua.
Ah, o primeiro dia. Esperava um encontro qualquer, decepcionar com qualquer pequeno detalhe ridículo que faria pensar em qual seria a melhor maneira de encerrar aquilo logo. Até eu virar para trás. Até o seu sorriso me pegar e eu não querer soltar.
Até eu não conseguir mais.
Tudo poderia sim ser mais e melhor.
Eu também.
Mas não sei ser menos.
Não sei e não quero me segurar, não demonstrar, me vigiar para não sentir ou demonstrar.
Você não sabe o inverso.
Talvez não queira.
Não sei se algum dia você quis se jogar, mesmo com medo. Tenho a sensação que sim, com uma pessoa.
Mas não comigo.
No fundo, acho que é só isso.
Você nunca quis, não sentiu.
Foi paixão passageira.
Dessas de carnaval, mas no inverno.
É, não era o impossível, apenas não era.
- Acho que não.
Eu quis a brecha para um relacionamento começar a escorregar por ali.
Eu quis você.
Conhecer do que é feita, sua essência, suas dores, seus amores.
Queria conversas despretensiosas em mesas de um bar qualquer. Daquelas que, quando se percebe, já se sabe muito em poucas horas.
Conversas de travesseiro com pequenas confissões deliciosas e bobas.
Quis você na minha porta porque não aguentou de saudade, e quem se importa se fosse de madrugada?
Um bobagem comprada que eu gosto e viesse entregar.
Que fizesse questão de estar junto e acompanhar, até nos eventos chatos. Eu faria. Mas você não pediu. Não queria me incluir ali.
Também queria colo, proteção e que viesse correndo. Que em qualquer ocasião alheia, olhasse e falasse: que bom que você está aqui.
Que eu fizesse bem, não só por ser uma pessoa "considerada" boa, incrível. E que sempre é a amiga.
Também queria paciência e calma, que entendesse minhas crises, meus vazios, meus complexos e inexatidão.
Queria todas dessas pequenas coisas que nos unem. Mas que ficaram no "poderia acontecer".
Pensando bem, até mesmo no primeiro dia tivemos alguém na mesa. Buscada por você do outro lado da rua.
Ah, o primeiro dia. Esperava um encontro qualquer, decepcionar com qualquer pequeno detalhe ridículo que faria pensar em qual seria a melhor maneira de encerrar aquilo logo. Até eu virar para trás. Até o seu sorriso me pegar e eu não querer soltar.
Até eu não conseguir mais.
Tudo poderia sim ser mais e melhor.
Eu também.
Mas não sei ser menos.
Não sei e não quero me segurar, não demonstrar, me vigiar para não sentir ou demonstrar.
Você não sabe o inverso.
Talvez não queira.
Não sei se algum dia você quis se jogar, mesmo com medo. Tenho a sensação que sim, com uma pessoa.
Mas não comigo.
No fundo, acho que é só isso.
Você nunca quis, não sentiu.
Foi paixão passageira.
Dessas de carnaval, mas no inverno.
É, não era o impossível, apenas não era.
domingo, 30 de novembro de 2014
Sabe Patrícia, às vezes sinto um dor. Absurda. De um vazio tão fundo. Que nunca soube de onde veio.
Já te contei que desde que me lembro eu fui assim. Essas dores, afiadas, que chegam ao nada. Como se eu sentisse tanto, que parece que não sinto nada.
É, acho que não sei descrever. E faço tantos absurdos durante esse não sentir, como buscar a última pessoa que esteve por aqui.
Eu sei, eu sei, não é ela. Nunca foi. Mas eu fiz mais do que já fiz. Senti. Apaixonei.
E hoje, de novo, lancei um pedido de ajuda desesperado cheio de mágoa, quem nem dela era.Não sei porque chamo de pedido de ajuda. É só uma tristeza absurda que vem de vez em quando. E é muito a se pedir.
Ela, que não entende metade do que eu digo. E quem entenderia?
Falei, dorme comigo de despedida. Mas, na verdade, não é despedida, é que não quero ficar sozinha. Ta difícil, a vida. Mas não é isso também. Queria que viesse correndo e desse colo como eu faria.
Disse tudo isso. No auge da crise. E ela disse, você não entende. E eu: você também não.
E quem entenderia?
Ela acha que é cobrança. Eu acho outra coisa. Ficamos assim.
Mas, sei, que com tudo, era ela que servia agora. Não sei porque. Não sei explicar.
Já fiz isso em diversas vezes, com diversas pessoas.
Não sei o que fazer para isso mudar.
Isso de uma vida inteira.
A cada festa tem sempre um momento em que fico mal. Já te falei isso, lembra? Vem e parece que não saio mais. Acabo chorando.
É horrível. Parece que sempre busco aquele cuidado. Alguém que venha e cuide.
Será coisa de mãe?
De mim?
Vou para por aqui. Minha gata tá aqui, pedindo atenção, chamando com a pata e agora parece que abraçou meu braco.
O pedacinho cheio de pelo de alegria desse ano.
Já te contei que desde que me lembro eu fui assim. Essas dores, afiadas, que chegam ao nada. Como se eu sentisse tanto, que parece que não sinto nada.
É, acho que não sei descrever. E faço tantos absurdos durante esse não sentir, como buscar a última pessoa que esteve por aqui.
Eu sei, eu sei, não é ela. Nunca foi. Mas eu fiz mais do que já fiz. Senti. Apaixonei.
E hoje, de novo, lancei um pedido de ajuda desesperado cheio de mágoa, quem nem dela era.Não sei porque chamo de pedido de ajuda. É só uma tristeza absurda que vem de vez em quando. E é muito a se pedir.
Ela, que não entende metade do que eu digo. E quem entenderia?
Falei, dorme comigo de despedida. Mas, na verdade, não é despedida, é que não quero ficar sozinha. Ta difícil, a vida. Mas não é isso também. Queria que viesse correndo e desse colo como eu faria.
Disse tudo isso. No auge da crise. E ela disse, você não entende. E eu: você também não.
E quem entenderia?
Ela acha que é cobrança. Eu acho outra coisa. Ficamos assim.
Mas, sei, que com tudo, era ela que servia agora. Não sei porque. Não sei explicar.
Já fiz isso em diversas vezes, com diversas pessoas.
Não sei o que fazer para isso mudar.
Isso de uma vida inteira.
A cada festa tem sempre um momento em que fico mal. Já te falei isso, lembra? Vem e parece que não saio mais. Acabo chorando.
É horrível. Parece que sempre busco aquele cuidado. Alguém que venha e cuide.
Será coisa de mãe?
De mim?
Vou para por aqui. Minha gata tá aqui, pedindo atenção, chamando com a pata e agora parece que abraçou meu braco.
O pedacinho cheio de pelo de alegria desse ano.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Porque ser trouxa tá na moda
quédize..
a pessoa termina comigo. fala que não consegue me amar
e numa conversa amistosa
eu me proponho a fazer uma lista de coisas que gosto dela
QUAL É O PROBLEMA COMIGO?
a pessoa termina comigo. fala que não consegue me amar
e numa conversa amistosa
eu me proponho a fazer uma lista de coisas que gosto dela
QUAL É O PROBLEMA COMIGO?
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